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:: Sexta-feira, Dezembro 24, 2004 ::
Atitudes para ser feliz já a partir de agora.
:: Beije o vento
:: Faça algo sem pensar
:: Junte uma turma de amigos
:: Mude de profissão
:: Faça bolas de sabão
:: Morra de amor
:: Seja fiel consigo mesmo
:: Tome banho de chuva
:: Desligue o celular
:: Conheça seu vizinho
:: Dance à luz da lua
:: Voe de helicóptero
:: Salte de pára-quedas
:: Escreva uma poesia
:: Sente na janela
:: Brinque de esconde-esconde
:: Cumprimente um desconhecido
:: Quebre regras e etiquetas
:: Passe o dia com sua avó
:: Pinte as paredes
:: Diga: "Amo você"
:: Escute conversas alheias
:: Abraço seu irmão e seus pais
:: Namore, namore, namore
:: Faça sexo
:: Faça amor
:: Transe
:: Entenda filosofia
:: Cante parabéns pra você
:: Sonhe acordado
:: Divirta-se à toa
:: Escute o silêncio
:: Sorria sem motivo
:: Seja seu próprio ídolo
:: Leia Shakespare
:: Faça mais um vestibular
:: Saia da dieta
:: Sorria sem motivo
:: Diga mais: "Foda-se"
E viva.
Viva sempre.
O importante é ser feliz!!!
Feche os olhos e faça o seu pedido...
:: 4:05 PM ::
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:: Quarta-feira, Dezembro 22, 2004 ::
Ano novo é como uma parede pintada
É lá onde se passa uma boa parte do tempo...
Sabe aquela parede do teu quarto que precisa de uma mão de tinta? Duas talvez para não ficar manchada a pintura. Pois é. Em determinado momento da vida as pessoas deveriam pintar as paredes do quarto, da sala, da fachada, mas especificamente do quarto. É, não é lá onde se passa uma boa parte do tempo? Seja no telefone, seja deitado, sentado, dormindo, lendo, meditando, transando, ouvindo música, tocando, rindo, chorando, enfim. É como se um pedaço da gente estivesse ali. Não nas coisas materiais e sim naquelas em que só as paredes sabem.
Pois todo mundo deveria pintar a parede do seu quarto em determinado momento da vida. Seja para lembrar ou seja para esquecer. Para apagar. Como se fosse querer tirar da memória alguma coisa que te incomoda. Para, a partir daquele momento, começar a viver de uma maneira diferente, ou pelo menos tentar. Ou pintar para tentar esconder o teu passado. Mas não fica achando que simplesmente passar a tinta por cima da velha possa mudar alguma coisa. A gente muda quando não nos damos conta. É como se fosse uma coisa do nada. E, quando se vê, tá mudado. Ou simplesmente pintar porque a parada tá suja mesmo. Afasta os móveis. Empurra para lá e empurra para cá. Quem sabe atrás daquele armário, atrás da estante ou até atrás do teu guarda-roupas, que foram afastados pra que a parede de trás também fosse pintada, tu não encontre alguma coisa. Uma foto, uma carta, um papel qualquer ou até mesmo uma "pixação", feita em algum dia especial. Na tarde de um sábado talvez, depois de um dia inteiro de exaustão causado pela pintura. Depois de dias atrás discutindo a cor que ficaria mais legal e bacana na parede do quarto. Depois de algumas brigas e discussões banais. Depois de um cabelo pintado, de um braço manchado e uma pinta clássica de tinta na ponta do nariz. Depois de um dia inteiro cansativo onde a noite chega e a pintura se perde entre beijos e suspiros atrás do guarda-roupas afastado para que a parede de trás também fosse pintada. Guarda-roupas esse que ganhou tinta também na parte de trás, onde ficam até hoje gravados em palavras o sentimento do momento. Mas só descobertos e lembrados depois de um certo tempo, quando a gente nem sequer lembrava que ali, atrás do guarda-roupa bem perto da gente, estaria uma declaração.
Descoberta essa que nos faz lembrar de momentos, os mais variados. Tanto bons quanto os não tão bons. Mas lembrados com carinho e com saudade. Como se tudo o que foi feito, pensado e vivido até aquele momento parassem por um instante. Mesmo que na lembrança. Mas a certeza que tudo "era verdade". E lembrar que naquele momento o tempo também parou.
Vai lá, arreda teu guarda-roupa e vê se tu não descobre nada perdido atrás dele!!! Ou arreda nem que seja pra pintar a parede.
:: 3:48 AM ::
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:: Terça-feira, Dezembro 21, 2004 ::
De quando o amor me entortou
Quando você veio ao mundo, sorriu ao mundo, se apresentou ao mundo eu tinha onze anos, 37 sonhos, 42 bolinhas de gude e um álbum incompleto de figurinhas dos craques do campeonato brasileiro. Quando você desceu ao mundo, caiu no mundo, floresceu o mundo, eu pensava em ser jogador de futebol, cantor de rock, cientista maluco, pessoa feliz ou andarilho, não sei bem em que ordem nem o que eu queria ser primeiro. Quando você chorou para o mundo eu não sabia cantar, nem sabia dançar, nem sabia que um dia ia ter vontade de cantar dançando cada vez que olhasse seus olhos e sentisse seu cheiro e tocasse sua pele. Quando você chegou e enfeitou o mundo, perfumou o mundo, mudou o mundo, eu não pensava em flores nem enxergava direito as cores, nem esperava amores nem muito menos sentir dores, porque dor eu só aprendi a sentir no dia que você, um bom tempo depois que chegou ao mundo e haja tempo nisso que quase não se acabava!, se chegou a mim, e me fez perceber que dor é aquela sensação desagradável ou penosa causada por um estado anômalo do organismo ou parte dele, especialmente quando você me dá tchau, até logo, byebye, e piorada quando isso tudo não vem acompanhado de um beijo e um volto logo. Quando você piscou pro mundo ninguém me disse, ninguém anunciou, não deu na tv nem no jornal nem no rádio e eu não vou mentir e dizer que eu soube assim mesmo, porque essas coisas a gente não sabe de outro jeito que não seja depois de muito sofrimento e de desacreditar que um dia vai acontecer. Mas, no fim de tudo, isso nada importa, a não ser que você veio e sorriu e se apresentou e desceu e caiu e floresceu e chorou e enfeitou e perfumou e mudou e piscou pro mundo e pra mim, e dentro de mim alguma coisa fez ploc e outra fez clic e outra fez um barulho infernal e explodiu, e eu senti na boca um gosto de framboesa e nos pés um gosto de nuvem de chuva e no peito um gosto de o-que-é-isso-meu-deus-do-céu-minha-nossa-senhora-do-perpétuo-socorro-ave-maria-cheia-de-graça-valha-me-deus-todo-poderoso-acuda-jesus-nosso-senhor.
Pois, agora, vê se cuida de mim do meu sorriso do meu olhar do meu peito do meu sonho do meu mundo do meu dia dos meus/nossos filhos do meu pé-de-atleta de meu tudo de meu sempre. Porque, quando você apareceu, assim, do nada, depois de ter surgido de dentro de um planeta chamado "longe", se ferrou, madame, porque ganhou um eu inteirinho pra você, embalado pra presente e sem direito a troca nem devolução nem reclamação porque o guichê já está fechado, o dia já foi ontem e a noite promete uma nova revelação dos cientistas loucos da Colômbia em relação à gripe que nos assola.
André Gonçalves - Cabeza Marginal
:: 3:30 AM ::
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